Veículo: Entrevista com Mikel Asensio . Quinta-Feira, 16 de Novembro de 2006 .
Título: Entrevista com Mikel Asensio


Entrevista com Mikel Asensio

Em entrevista ao site do Instituto Cultural Flávio Gutierrez, o professor da Universidade Autônoma de Madri, Mikel Asensio, fala sobre o Museu de Artes e Ofícios (MAO) e sobre as escolas e os museus no processo de educação.


PERGUNTA:
- O senhor é uma figura internacional, desenvolveu projetos para vários museus do mundo e conheceu museus com propostas de acervo similares à do Museu de Artes e Ofícios. Qual avaliação que o senhor faz do MAO?

MIKEL ASENSIO:
- Surpreendi-me gratamente com o museu. Ele está alinhado com os melhores museus de antropologia do mundo. Possui uma coleção excelente, muito bem organizada, composta com critério. Não há uma acumulação de coisas curiosas sem critério patrimonial. O MAO possui uma linha bem definida, uma coleção clara. Faltam ainda algumas coisas fundamentais, como oferta de serviços, ampliar a cafeteria. Mas as outras coisas estão funcionando bem.

Há muitas propostas similares no mundo, mas com critérios distintos. No MAO se vê uma proposta com forte conteúdo estético, recursos mais comunicativos, que surpreendem. Nos outros há um maior peso da cultura imaterial, e não de experiências de relatos das pessoas que trabalharam no ofício. É marcante no MAO a presença do vestuário, de jogos, manifestações artísticas e crenças populares.

PERGUNTA:
- Qual o tipo de experiência que o senhor teve ao visitar o MAO?

MIKEL ASENSIO:
Relatar minha experiência no Museu não é interessante, porque nós temos experiências diferentes da dos visitantes, um olhar diferente, porque somos profissionais. Então vamos avaliar diversos outros aspectos, fazendo uma leitura deformada, ascética. Mas posso dizer que gostei muito, o Museu tem espaços agradáveis, tudo está muito bem cuidado, no sentido da experiência estética. E, sobretudo, me impressionou a coleção. É muito difícil ter em outros países uma coleção como essa, por questões técnicas. Os outros países são muito mais velhos que o Brasil.

PERGUNTA:
- Como alinhar as propostas dos museus com as propostas de ensino das instituições educativas?

MIKEL ASENSIO:
- Da parte dos museus não há uma oferta adequada para os professores. Um museu pode estar de acordo ou não com as demandas educativas, visto que o museu tem a lógica do museu e a escola tem a lógica da escola. Assim, o museu pode fazer uma oferta ou não, pode estar de acordo ou não, e os professores também. São diferentes os objetivos das duas instituições. Há museus que têm alguma oferta educativa.

As escolas utilizam pouco seus recursos para inserir a cultura na grade curricular dos alunos. Na Espanha, por exemplo, as saídas para visitações a projetos culturais ocorrem trimestralmente. A escola deveria estar aberta a experiências semanalmente, e os museus são apenas uma pequena parte dentro de toda uma oferta. Mas acontece que o professor às vezes fica com preguiça, dá muito trabalho sair com as crianças da escola.

Além disso, há uma inadequação entre as escolas e os museus que queremos. As escolas são instituições velhas, que atendem a padrões antigos e não respondem aos processos tecnológicos, por exemplo. A escola da Espanha do século XV é a mesma de 500 anos depois. Os alunos são obrigados a decorar a matéria, em vez de aprender a analisar. E por que as escolas agem assim? Por questões de interesses. Mas isso também é uma questão complicada, porque as instituições de ensino precisam formar um cidadão para uma sociedade de daqui a 20 anos, que ninguém sabe como será.









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